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Educação Especial em Rondônia: como estamos incluindo? – Por Cristiano de Paula
2010-02-05 - 10:43:23

O processo educacional tem sido importante na construção e constituição do indivíduo e da coletividade, entendendo-se educação a oportunidade social que mantém o aluno conectado com seus direitos e deveres de cidadão.

Foi em virtude dessa discussão que hoje podemos falar sobre Inclusão social e educacional, ou melhor, propor uma séria discussão a respeito de como estamos nos relacionando político-educacionalmente e o que estamos oferecendo às pessoas que apresentam determinadas deficiências.

Para tanto gostaria de discutir a proposta de educação inclusiva considerando os documentos de maior relevância mundial e nacional que direcionam o andamento das políticas públicas de educação especial, bem como os documentos elaborados em Rondônia, no que visa o processo de inclusão.

Analisar as Políticas Públicas, a partir da Declaração de Educação Para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca, voltadas à Educação Especial e seu processo de inclusão nas Escolas Estaduais de Porto Velho, Rondônia, identificando as principais dificuldades encontradas à execução dessas Políticas definidas pelo MEC através da Secretaria de Educação Especial.

Podemos observar que o processo de inclusão desde muito tem sido tratado de forma escamoteada, visando “concertar” um erro no tratamento das pessoas que apresentam necessidades educativas especiais.

Em função da disseminação dos conhecimentos do processo de inclusão para comunidade em geral a procura de atendimento no ensino regular tornou-se maior do que o sistema consegue suprir, a educação inclusiva não está, ainda, como critério prioritário no sistema de ensino. Não havia uma política de acompanhamento de profissionais capacitados por parte do Governo e muito menos preocupação do professor capacitado para repassar as informações adquiridas, mesmo porque a capacitação que era oferecida pela Secretaria de Educação se dava em poucos dias ou semanas, o que não supria as necessidades que um projeto de inclusão exige, que é o de um estudo aprofundado, gerindo formas de atendimento em educação regular voltados para a atenção dos alunos com necessidades especiais.

Uma nova proposta educacional, fundamentada em recentes teorias educacionais, vem exigindo mudanças nas concepções pedagógicas dos profissionais de educação atuantes nas escolas e interferindo na vida dos próprios sujeitos com necessidades especiais e seus familiares, como na forma de gestão das políticas educacionais, especialmente, a escolar.

Em verdade, o sistema de ensino em Rondônia é tudo, mas ainda não é inclusivo, e as novas políticas estão em conflito com o sistema competitivo e dividido que herdamos, e que permanecerá em cena durante algum tempo.

Um outro dado de importante consideração é o número de alunos elevados por turma, é um grande indicativo de que a Educação tem sido palco de desmonte na qualidade do ensino, se não há escola suficiente torna-se a sala de aula um amontoado de pessoas que estão tendo suas oportunidades perdidas, se não há atenção ao aluno de classe regular esta atenção será menor ainda para o aluno que está “incluído”.

Além disso, o número insuficiente de profissionais capacitados e ou especializados para atuar com alunos com necessidades especiais é uma das justificativas utilizadas pela Secretaria de Educação do Estado, o que faz parecer que ainda estamos revivendo um processo histórico de há muito tempo, lidar com alunos com necessidades especiais somente aqueles que têm um preparo quase surreal, usando um metaforismo, ainda estamos nos moldes médicos de Itard e Seguin. É ainda a visão médica prevalecendo sobre a visão pedagógica.

Autor: Cristiano de Paula | Fonte: Cristiano de Paula
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