Na revolução industrial européia era comum a exploração da mão-de-obra. Na época os trabalhadores viviam, no máximo, 25 anos. Com uma jornada de 12 horas diárias e com um salário miserável, os trabalhadores colocavam seus filhos e mulheres para trabalhar. Não existiam regras, leis, ou sindicatos.
Muito tempo se passou e iniciou-se uma série de revoluções, de greves, de organização entre os trabalhadores. Quase sempre o Estado respondia com agressividade e demonstrando estar do lado de quem sempre pagava mais impostos, a política patronal.
No Brasil a revolução industrial ocorreu cem anos após a européia. Nesse sentido esperava-se que as leis trabalhistas que já haviam sido conquistadas fossem utilizadas aqui. Um grande engano. Como no Brasil não se tinha mão de obra qualificada para mexer nas novas máquinas, vieram trabalhadores da Europa, que já tinham conhecimento do maquinário. Só que, da mesma forma que conheciam o maquinário, também conheciam as leis trabalhistas, e as filosofias esquerdistas. Trazendo revolução ao Brasil.
Assim surgiram os primeiros sindicatos e entidades que representavam os trabalhadores. Muita coisa foi conquistada e até hoje ainda pensa-se que muito precisa conquistar. O sindicato deixou hámuito tempo de ser somente uma representação dos trabalhadores, tornou-se um trampolim para políticos, como é o caso do Presidente Lula, Senadora Fátima Cleide, Deputado Federal Eduardo Valverde, dentre outros que já perderam seus mandatos.
Por isso hoje muito trabalhador se pergunta por que as eleições sindicais se resumem em uma briga de poder? A resposta é clara: porque ser dirigente sindical de uma categoria traz status, traz poder, traz dinheiro e traz grandes possibilidades políticas.
Dentro do sindicato muita coisa ocorre sem que os trabalhadores - que ele representa - saibam. Prestações de contas maquiadas com ajuda de custos sem necessidades, brigas internas por espaço e poder.
Os dirigentes sindicais se acham tão ‘poderosos’ que pensam ter direito de assediar moralmente seus próprios funcionários, atrasar salários e não pagar fornecedores. Mentira? Confirmo que não. Os diretores sindicais com menos grau de escolaridade são os piores em compreender que ao ser patrão, e estar administrando um sindicato, ainda são trabalhadores e não os reis do mundo!
A verdade é que hoje o sindicato atua somente para representação pessoal dos dirigentes. Não se faz sindicato por acreditar ou por ter noções filosóficas das lutas dos trabalhadores. Se faz sindicato pensando em si mesmo, em status social e, sobretudo, em poder!
A luta de classe se tornou individual, o pensamento da massa está controlado por poucos, o dinheiro é repartido em pequenas fatias. Mais um peso para os trabalhadores!
* Gésica Borges Bergamini, Acadêmica do 9º Periodo de Psicologia, autora do Artigo Científico publicado "O Papel Social do Trabalho", ex-funcionária da CUT/RO e do STICCERO. |